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Posse de Donald Trump: O que esperar?

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Por: Imperador Luiz Felipe



Com Donald Trump assumindo a presidência dos Estados Unidos pela segunda vez, surge a expectativa de como será o seu mandato baseado em suas declarações durante as eleições e nas medidas por ele impostas até agora. Logo no seu primeiro dia como presidente, Trump já assinou diversos decretos, como a retirada dos EUA novamente do Acordo Climático de Paris e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que o Biden tinha revogado assim que assumiu a presidência em 2021; a renomeação do Golfo do México para "Golfo da América"; a inclusão de Cuba como um estado "patrocinador do terrorismo"; a declaração do estado de emergência nacional e o envio de tropas militares para a fronteira com o México com o objetivo de impedir a entrada de imigrantes ilegais; o fechamento das fronteiras para imigrantes que buscam asilo e a revogação da cidadania para filhos de imigrantes com situação ilegal no país; e o fim de políticas progressistas com o objetivo de atingir “diversidade”, “equidade” e “inclusão” sustentadas pelo governo americano, enfatizando que a contratação de funcionários deve ser feita com base no mérito. Além disso, Trump afirma que pretende impor tarifas sobre produtos importados do Canadá e do México por permitirem “que um grande número de pessoas — o Canadá também abusa bastante — um grande número de pessoas entre, e o fentanil entre também”. Foram 80 decretos que Trump revogou do governo anterior e 41 que ele emitiu no total nesse primeiro dia de mandato, que, vendo as polêmicas afirmativas feitas por ele ao longo dessas semanas e levando em consideração suas conhecidas opiniões anti-establishment, podemos prever que terá tudo para ser revolucionário na história americana.


O ESPAÇO VITAL ESTADUNIDENSE



Os desígnios de Donald Trump neste mandato podem ser identificados também se analisarmos a real consistência de suas declarações feitas desde a sua vitória eleitoral em novembro. Há semanas Trump vem afirmando o desejo de querer comprar a Groenlândia, que atualmente é um território autônomo, mas controlado pela Dinamarca; vem ameaçando retomar o controle do Canal do Panamá, que desde 1999 está sob a administração total do Panamá; e até mesmo vem cogitando anexar o Canadá como o 51° estado norte-americano. De todas essas questões, as que são menos histriônicas e que têm mais chances de ocorrer de fato são as referentes à Groenlândia e ao Canal do Panamá. A Groenlândia, apesar de ser território ligado à Dinamarca desde o século XIX, não possui muitos assentamentos e presença militar por parte do governo dinamarquês. A ilha fica simplesmente no meio do caminho entre EUA e Rússia, sendo o caminho mais curto entre os dois países, e possui uma vasta quantidade de riquezas naturais em sua maioria ainda não descobertas e exploradas, o que lhe confere um caráter extremamente estratégico. Desde 2005, a China vem ampliando sua influência no território, com investimentos bilionários sendo efetuados, com destaque na área de mineração, que chegam a compor 11,5% do PIB da ilha. Em 2006, o parlamento groelandês autorizou os chineses a construírem uma base científica em seu território, e em 2018, o governo chinês chegou a se declarar uma nação semi-ártica. Isso serve de alerta para os Estados Unidos de que a presença de outras nações, particularmente da China, corre o risco de aumentar significativamente, o que pode constituir um risco à sua própria soberania. A partir do final do século XIX, a Casa Branca começou a fazer estudos para a compra da ilha que, no entanto, não levaram à elaboração de nenhuma proposta real ao governo dinamarquês. Um fato curioso é que em 1917, os americanos compraram um território ultramarino dinamarquês no Caribe, as Índias Ocidentais Dinamarquesas, fazendo com que exista um precedente histórico em que os dinamarqueses cederam parte de seu território aos norte-americanos. Isto posto, um cenário de compra da Groenlândia pelos Estados Unidos sob o mandato de Trump não é algo impossível de acontecer e até é muito provável. O Canal do Panamá é outra questão que causa imensa preocupação em Trump e que possui um embasamento histórico bastante fundamentado num cenário envolvendo uma possível retomada norte-americana. O Canal foi construído pelos americanos durante a administração do presidente Theodore Roosevelt para que a marinha americana tivesse uma vantagem hemisférica e descomunal sobre as outras marinhas. A obra esteve sob controle total estadunidense até 1977, quando Jimmy Carter fez um acordo que iniciava um processo gradual de concessão para os panamenhos que se concretizou em 1999. Desde então, o Canal do Panamá está sob a administração da República do Panamá. Trump alega, contudo, que os panamenhos têm agido de maneira injusta ao impor tarifas mais caras aos navios mercantes americanos. Outro fator a se levar em consideração é a aproximação que o país tem tido com a China, aderindo à iniciativa do Belt and Road desde 2018 e com empresas chinesas tendo uma presença esmagadora em contratos de gerenciamento da infraestrutura do Canal do Panamá. Na visão de Trump, isso pode afetar a neutralidade do Canal, aspecto que é um dos princípios elementares do tratado acordado em 1977, que entregou ao governo panamense a sua administração. Portanto, essas são questões que podem sim receber atenção e atitudes reais do governo Trump, uma vez que elas possuem fundamento histórico e jurídico que ajudam a justificar eventuais ações singulares de Washington visando fortalecer e ampliar seu espaço vital.


ATLANTISMO EM CRISE



Outra questão a se levar em consideração é a possibilidade da saída dos Estados Unidos da OTAN, já que Trump alega que os outros membros não se esforçam para aumentar seus gastos com defesa. “Se eles estiverem pagando suas contas, e se eu achar que eles estão fazendo um trabalho justo – que eles estão nos tratando de forma justa, a resposta é que com certeza eu ficaria na Otan. Do contrário, com certeza consideraria a possibilidade de abandonar a aliança,” disse o presidente. Outro ponto importante é o fim do apoio americano à Ucrânia que o presidente disse diversas vezes que pretende cessar, e se isso acontecer, será o fim imediato da guerra, pois Zelensky será pressionado a fazer um acordo com Putin e, dessa forma, as hostilidades serão prontamente interrompidas. Vale lembrar que há poucos dias, um cessar-fogo foi firmado entre o Hamas e Israel que pôs fim aos combates que duram desde 7 de outubro de 2023 e está possibilitando a devolução dos reféns e prisioneiros de ambos os lados. A influência de Trump foi decisiva para a resolução do acordo, então não seria algo irreal pensar que ele possa mesmo fazer com que o conflito na Ucrânia se encerre.


AMÉRICA DO SUL FRENTE AO EXPANSIONISMO TRUMPISTA




Por fim, um ponto importante a ser analisado é como fica o Brasil e a América do Sul diante do expansionismo trumpista e quais são as suas pretensões frente aos governos esquerdistas de Lula e Maduro. Trump em seus comícios e discursos desde a sua vitória eleitoral não indicou que tem a situação do Brasil e da Venezuela como prioridades de sua administração. Ele fez questão de abordar os assuntos elucidados acima, o que indica que suas prioridades são essas questões. O Brasil e a Venezuela não estão no seu radar imediato. O que pode afetar o Brasil de imediato é o fim do apoio às pautas da agenda woke, o que significa o fim do financiamento do governo americano às ONGs e aos think tanks que sustentam ideologicamente o governo Lula. Questionado como seria a relação com o Brasil, o presidente respondeu: “Ótima, deve ser ótima. Eles precisam da gente mais do que nós deles. Nós não precisamos deles. Todos precisam da gente.” É óbvio que existe a chance dele taxar novamente produtos brasileiros e de cercear terminantemente qualquer tentativa dos BRICS de tentar criar uma moeda própria para fazer comércio sem o dólar, e também é claro que Trump vai enrijecer as sanções contra a Venezuela; mas é extremamente improvável que um cenário envolvendo derrubada de governos e até mesmo intervenção militar se torne realidade. Trump não vê no momento a América do Sul como prioridade para os EUA; suas prioridades se concentram no Norte Global.




CONCLUSÃO


O que podemos esperar do governo Trump é uma intensificação do perfil nacionalista e isolacionista que marcou o seu primeiro mandato. Porém, todos os indícios levam a crer que dessa vez a sua administração tentará ser ainda mais disruptiva. O fato de terem tentado matá-lo e dele ter sobrevivido de modo tão milagroso só reforça a missão singular que Donald Trump está destinado a cumprir e o quão impactante o seu governo está destinado a ser na história americana. Sim, estamos diante de um homem que pode colocar seu nome na história como o homem que pôs fim à linhagem de presidentes módicos marionetes do Deep State, e revolucionou ao fazer um governo que realmente colocou os interesses da América e do povo americano em primeiro lugar.



Os artigos, opiniões e conteúdos publicados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a posição oficial do Vanguarda.

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