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A avassaladora vitória de Trump e a sua defesa das politicas isolacionistas, mercantilistas, e anti-catedral evidenciam a falencia da democracia liberal e do liberalismo eleitoralmente, jornalistas e intelectuais de todo o mundo correm para entender esse fenomeno e certas figuras como o "Estranho" J.D Vance e o engajamento politico do Bilionario Elon Musk na luta contra a famigerada e polemica Cultura Woke.
Fica claro que a antiga dicotomia entre Esquerda e Direita que embora opostos, dançam juntos na tapeçaria do poder dissolve-se. Surge uma nova cisão, um eixo vertical que coloca as massas contra as elites. No cenário atual, o embate não se limita a um conflito ideológico; trata-se de uma batalha arquetípica entre o povo e uma casta globalista que, tal qual os antigos deuses distantes, perdeu-se na autossuficiência e distanciou-se do bem comum, que outrora marcava a virtude dos governantes.
Hoje, essas elites carecem de noblesse oblige — uma obrigação de nobreza que, segundo Aristóteles, deveria enobrecer o espírito e comprometer o poder com o bem-estar da polis. Em vez disso, a nova oligarquia reflete o egoísmo e a arrogância de uma estrutura onde o poder é esvaziado de ética, numa inversão dos valores tradicionais. Assim como a decadência de Roma, que cedeu à corrupção interna, o atual establishment parece destinado à desintegração por sua própria fraqueza moral.
O processo eleitoral, em sua busca por agregar minorias fragmentadas, ignorou a construção de uma visão unificadora, uma espécie de Eros político que ligue os cidadãos a um destino comum. Em vez disso, observamos uma Babel moderna, onde as vozes se multiplicam sem convergir, e a sociedade é fragmentada em busca de desejos divergentes. Para a filosofia hegeliana, a ausência desse espírito coletivo reflete uma falha essencial na criação de um “Espírito do Mundo” — aquele que unifica o Estado e a sociedade em um propósito transcendental.
Nesse vácuo, o populismo emerge como um arquétipo telúrico, um eco dos antigos movimentos dos povos bárbaros que desafiavam as estruturas imperiais. Esse populismo, como a alquimia, representa um princípio de transformação: toma o chumbo das queixas e transforma-o em ouro político, um processo quase místico que canaliza as forças do inconsciente coletivo, como definiu Carl Jung, para desestabilizar as estruturas cristalizadas de poder.
Para qualquer líder à Direita que busque não apenas restaurar a ordem, mas erigir uma nova civilização, o primeiro passo deve ser o desmantelamento do “Estado administrativo”. Esta entidade, que Max Weber descreveu como a “gaiola de ferro” da burocracia, deve ser superada e purificada, substituindo a frieza do maquinário estatal por um poder verdadeiramente encarnado. É necessário invocar a imagem do rei-filósofo de Platão, alguém que transcenda as limitações técnicas e manifeste uma autoridade viva, capaz de guiar a nação com uma visão de longo alcance.
Se o Partido Republicano puder constituir uma contra-elite que não reflita apenas uma inversão dos valores atuais, mas a emergência de um novo ethos, será possível converter a insatisfação popular numa força construtiva, moldando-a numa nova narrativa fundacional que renasce das cinzas da civilização decadente para instaurar uma nova era, uma oportunidade de transformar o lamento em canto e a desordem em cosmos.
Contudo, essa contra-elite deve compreender os perigos que a aguardam, pois o caminho do poder está pavimentado com armadilhas e tentações. É essencial resistir ao chamado das Moiras, que oferecem o poder do ressentimento — um impulso sombrio que pode minar a fundação de qualquer novo regime. Em vez de ceder a este ciclo destrutivo, a nova liderança deve praticar uma alquimia moral, transmutando as forças de destruição numa base firme para uma nova ordem, estabelecendo um sistema resiliente que ressoe com o próprio ritmo da nação.
Mas a verdadeira prova desta contra-elite será resistir à sedução narcótica da tecnocracia. Como Ulisses resistindo ao canto das sereias, esses líderes deverão manter-se fiéis ao apelo original do povo, cultivando uma autenticidade que enraize o poder na vontade popular, e não nas abstrações estéreis da burocracia. Apenas uma liderança que preserve essa ligação autêntica será capaz de resistir à corrupção inerente ao poder, mantendo um pacto vital com o povo que ressoe através das gerações.
Em última análise, se essa contra-elite conseguir triunfar, o resultado será mais que uma simples reorganização de forças: será uma palingenesia política, uma renovação espiritual que transcende as estruturas físicas do Estado e infunde um novo *logos* na nação. Esse paradigma rejeitará as forças niveladoras da globalização e abraçará uma identidade singular e sagrada, onde o Estado se transforma numa entidade viva e mística, manifestando o espírito eterno de seu povo. A história, então, deixará de ser um mero registro de eventos para se tornar uma epopeia, onde essa liderança assume o papel de herói em uma narrativa grandiosa que atravessa os tempos, imortalizando o verdadeiro significado do poder e da soberania.