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Traduzir ‘neorreação’ para ‘a nova reação’ não é de forma alguma censurável. Ela é nova e aberta à novidade. Apreendida historicamente, ela não remonta a mais do que alguns anos. Os escritos de Mencius Moldbug foram um catalisador crítico.
Neorreação é também uma espécie de análise política reacionária, herdando um profunda desconfiança do ‘progresso’ em seu uso ideológico.
Ela aceita que a ordem sociopolítica dominante do mundo ‘progrediu’ unicamente na condição de que tal avanço, ou movimento implacável para frente, fosse inteiramente destituído de endosso moral e está, de fato, ligado a uma associação primária com a piora.
O modelo é aquele de uma doença progressiva.
O ‘neo-‘ da neorreação é mais do que apenas um marcador cronológico, contudo. Ele introduz uma ideia distintiva, ou tópico abstrato: aquele de uma catraca degenerativa.
O impulso de recuar de algo já é reacionário, mas é a combinação de um crítica do progresso com um reconhecimento de que a simples reversão é impossível que inicia a neorreação.
A este respeito, a neorreação é uma descoberta específica da seta do tempo, dentro do campo da filosofia política. Ela aprende e, então, ensina que a maneira de sair não pode ser a maneira em que entramos.
Onde quer que o progressismo tome conta, uma catraca degenerativa é colocada em funcionamento.
É impensável que qualquer sociedade poderia recuar do direito expansivo ao voto, do estado de bem-estar social, da formulação de políticas macroeconômicas, da burocracia regulatória extensa, da religião secular coerciva-igualitária ou da arraigada intervenção globalista.
Cada uma dessas coisas (inter-relacionadas) são essencialmente irreversíveis. Elas dão à história moderna um gradiente.
Dados quaisquer dois ‘instantâneos’ históricos, pode-se dizer imediatamente qual é anterior e qual é posterior, simplesmente observando-se a medida em que quaisquer desses fatores sociais progrediram.
A NRx repudia a política pública. Inverta isso e é a tese: A política acontece em privado.
Especificamente – enquanto filosofia política – a NRx defende a privatização do governo.
Ela faz um argumento público em favor disso, em abstrato, mas apenas para fins de otimização informacional e teórica.
Ela não está, jamais, fazendo política em público, mas apenas pensando nela sob condições de segurança mínima para a inteligência. A execução concreta da estratégia política ocorre através de acordos privados.