Por Eidos Nemer
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A interseccionalidade advinda da metade do séc. XX tentou, de forma abrupta e equivocada, rebater a etnologia surgida de Gobineau. Daí vimos de Lélia González e membros do identitarismo "afro-tupi", sobre o pretexto do pós-modernismo, o recalque contra a estrutura racial constante da história.
Sabemos que, diante de nossa vergonha introspectiva da civilização a República desmontou a brasilidade a fim de instalar fatores somente exógenos da Europa como identidade nacional. Abstendo da complexa relação interétnica do Brasil, Fidelis Reis e membros da então política à lá spoil system embebedaram-se da onda migracionista branca.
Apontava J.C. de Oliveira Torres que “o Estado criou o Brasil”, lúcido posava-se, propriamente. Sob esse prisma, a entidade jurídica do Brasil correlaciona-se com o gênio lusitano da moura encantada. Precisamente uma leitura freyreana do luso-tropicalismo. Entretanto, retomando a etnologia de Gobineau, prossegue que as características da raça é biológica e inata, e dela traçamos as relações culturais a partir da genética. O cerne do problema concerne que não busca em ampliar seus métodos a forma de explicar o contexto nacional, além de formar um etnocentrismo de baixa intelectualidade. Certamente a Europa foi dado a genes germânica que, ainda sobre a ditadura de Júlio César, o Império Romano colocaria-os nas frentes militares. Após a sua tomada, eles mesmos tomariam conta do Ocidente e formariam as tribos anglo-saxônicas, que posteriormente na Idade Média, tanto como os Hohenstaufen, Borbons, Habsburgo dentre outras poderosas dinastias teriam relação direta com os francos, celtas, eslavos, godos e suscetivamente. A relação interétnica da América Latina de forma alguma adere a esse contexto. Daí a aderência à Franz Boas.
A grande releitura de nossa cultura posou-se, após dessa cuspida pérfida dos representantes políticos do período café-com-leite, em que a cultura brasileira era inteiramente moldada pelos indígenas e africanos, uma completa antítese hegeliana do estado de formação do espírito. Comicamente essa nova “elite” incorporou o “país sem história” do Freyre. Essa interpretação não leva em conta que o colonialismo de Portugal não somente causou diretamente a miscigenação, como o foi parte da raça histórica, um conceito na qual a raça é definida por suas relações dinâmicas aos meios aderidos. A cultura da Península foi transmitido à Terra de Santa Cruz de forma que, a própria religião da Coroa estabelece um universalismo entre todas as culturas; própria da religião católica. Se um nissei vier ao Brasil, poderá tornar-se tomista em vez de budista. Essa é a característica da assimilação cultural, na qual esses membros idiotas do identitarismo afro-tupi possuem faixas vendadas sobre os olhos. Os próprios católicos tradicionalistas buscaram reverter o quadro etnológico da República Velha; Arlindo Veiga dos Santos e membros da Frente Nacionalista. É quase uma “Doutrina Monroe” verde-amarelo em que a mira posiciona-se numa identidade euro-brasileira que integre o ethos europeu com o ethnos brasileiro, uma complexa e dinâmica inter-racialidade presente nesta terra desde sempre.
De forma em criar um quadro sinóptico dessa questão, esse texto aborda pinceladamente essas questões antropológicas. A retomada do estudo etnológico urge do constante arrebatamento e separação racial, que indubitavelmente propaga o ódio contra brancos como um objetivo missionário de reparação histórica, como se as civilizações da Antiguidade não fossem ipso facto centradas em colonização geográficas muitas vezes pautadas em aumento sacerdotal de certa religião. Basta analisar a história de como o Antigo Egito antes de Narmer tomou a parte do Sul do Egito, assim começando a Primeira Dinastia, ou de como os judeus foram sucumbidos por templários, turco-otomanos e povos hebráicos. A história é sobre guerra e conquista.